sábado, 24 de outubro de 2026
MEIO AMBIENTE

Prevenção de atropelamentos pode começar antes da operação das rodovias, prevê projeto

Projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê uma política específica para reduzir atropelamentos de animais em rodovias. A proposta busca incluir a proteção da fauna no planejamento, na operação e no acompanhamento das estradas brasileiras.
Travessia-Silvestre-ao-Entardecer

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê a criação de uma política voltada à prevenção de atropelamentos de animais nas rodovias brasileiras. A proposta busca fazer com que a proteção da fauna seja considerada de forma permanente no planejamento e na gestão das estradas, e não apenas depois do registro de ocorrências.

O texto trata os atropelamentos como um problema que pode ser enfrentado por meio de ações organizadas ao longo da operação rodoviária. A política prevista deverá orientar medidas de prevenção, acompanhamento e resposta, com a participação dos órgãos responsáveis pelas rodovias e pela proteção ambiental.

A iniciativa está em tramitação na Câmara. Como se trata de um projeto, as regras ainda dependem da análise e da aprovação pelo Congresso Nacional, além das demais etapas do processo legislativo.

Proteção da fauna entra no planejamento das estradas

A principal mudança proposta é incorporar a presença de animais nas decisões relacionadas às rodovias. Isso inclui considerar a circulação da fauna e os pontos de ocorrência de atropelamentos na avaliação de medidas de segurança, na organização da operação e no planejamento de intervenções.

Atualmente, registros de animais mortos ou feridos nas estradas podem ser produzidos por diferentes responsáveis e em momentos distintos. A proposta busca dar uma orientação nacional para que essas informações sejam usadas na definição de ações destinadas a reduzir os riscos para a fauna.

O projeto também desloca o tema da resposta pontual para uma abordagem de prevenção. Em vez de tratar cada atropelamento como um episódio isolado, a política pretende estimular o acompanhamento contínuo das rodovias e a adoção de providências nos locais em que o problema for identificado.

Medidas dependeriam da identificação dos riscos

A prevenção de atropelamentos depende do conhecimento sobre os trechos em que os animais costumam atravessar as pistas e sobre as espécies afetadas. Por isso, a proposta relaciona a política ao monitoramento e à produção de informações sobre a fauna nas estradas.

Com dados organizados, os responsáveis pela gestão rodoviária poderão avaliar onde há maior necessidade de intervenção. A identificação desses pontos pode apoiar decisões relacionadas à sinalização, à operação da via, ao acompanhamento ambiental e a outras medidas previstas nos instrumentos de gestão das rodovias.

O projeto não transforma automaticamente todos os trechos em áreas sujeitas às mesmas providências. A lógica apresentada é a de que as ações sejam definidas de acordo com as características de cada estrada e com os registros de ocorrências existentes.

Integração entre órgãos

A política proposta também envolve a atuação coordenada de diferentes áreas do poder público. A gestão de uma rodovia pode envolver órgãos de transporte, entidades ambientais, concessionárias e outros responsáveis pela operação ou fiscalização da via.

Para a proposta, a redução dos atropelamentos exige que as informações produzidas por esses agentes possam orientar uma resposta conjunta. A articulação deve alcançar tanto o acompanhamento dos animais quanto a definição de medidas destinadas a evitar novos casos.

O objetivo é organizar responsabilidades e procedimentos relacionados à fauna sem retirar as atribuições já existentes dos órgãos responsáveis pelas rodovias e pelo meio ambiente. A proposta estabelece uma política nacional como referência para a atuação pública sobre o problema.

Dados podem orientar obras e operação

Além da rotina de fiscalização e monitoramento, o projeto prevê que a proteção da fauna seja considerada em decisões sobre as estradas. Informações sobre atropelamentos podem ser levadas em conta na avaliação de obras, na manutenção dos trechos e na definição de procedimentos operacionais.

Essa abordagem permite que a prevenção seja analisada antes de mudanças na rodovia ou durante a preparação de novas intervenções. A intenção é evitar que medidas sejam adotadas somente depois de um aumento nas mortes de animais ou da repetição de ocorrências em determinado local.

A proposta, portanto, relaciona a política de proteção da fauna ao ciclo de gestão da rodovia: planejamento, implantação, operação, monitoramento e eventual revisão das medidas adotadas. As ações deverão ser avaliadas conforme os dados disponíveis e as características de cada trecho.

Atropelamentos como problema de gestão pública

Ao criar uma política específica, o projeto procura dar tratamento permanente aos atropelamentos de animais nas estradas. A questão deixa de ser apresentada apenas como uma ocorrência ambiental ou de trânsito e passa a ser incluída entre os temas que devem ser acompanhados pela administração rodoviária.

A proposta considera que a circulação de animais e o risco de colisões precisam ser observados juntamente com os demais fatores relacionados à segurança e ao funcionamento das rodovias. O acompanhamento permitiria identificar mudanças nas ocorrências e verificar se as medidas aplicadas estão produzindo resultados.

O texto também reforça a necessidade de que o poder público reúna informações e estabeleça procedimentos para lidar com o problema. A política nacional serviria como base para orientar ações em diferentes rodovias, respeitando as condições específicas de cada região.

Tramitação na Câmara

O projeto ainda está sob análise da Câmara dos Deputados. Nessa fase, o texto pode ser examinado pelas comissões responsáveis e receber alterações antes de uma eventual votação, conforme as regras do processo legislativo.

A aprovação na Câmara não encerraria a tramitação. A proposta ainda precisaria passar pelas demais etapas previstas para projetos de lei, incluindo a análise no Senado, quando aplicável, e a sanção presidencial. Até a conclusão desse processo, as medidas previstas não têm aplicação obrigatória como lei nacional.

O debate legislativo deverá definir o alcance da política, os responsáveis pela execução das ações e os instrumentos necessários para o acompanhamento dos atropelamentos. Também caberá à tramitação esclarecer como as diretrizes serão incorporadas aos contratos, às obras e à operação das rodovias.

O projeto coloca a prevenção de atropelamentos de animais no âmbito do planejamento rodoviário. Se aprovado, poderá estabelecer uma referência nacional para que a fauna seja considerada na gestão das estradas desde a fase de planejamento e ao longo de toda a operação.

Fonte: Agência Câmara de Notícias.